Diagnóstico

Como é feito o diagnóstico das varizes? Entenda a avaliação do cirurgião vascular

Descubra como é realizado o diagnóstico das varizes, quando o ultrassom Doppler é necessário e por que uma avaliação completa faz toda a diferença.

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951

5 min de leitura

Atualizado em 23 de junho de 2026

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Como é feito o diagnóstico das varizes? Entenda a avaliação do cirurgião vascular

Como é feito o diagnóstico das varizes?

Uma das dúvidas mais comuns entre pacientes que procuram um cirurgião vascular é:

"Será que vou precisar fazer muitos exames?"

A resposta costuma surpreender.

Na maioria dos casos, o diagnóstico das varizes começa com algo muito mais simples: uma boa conversa e um exame físico detalhado.

Antes mesmo de solicitar qualquer exame complementar, o cirurgião vascular procura entender como funciona a sua circulação, quais sintomas você apresenta, há quanto tempo eles existem e de que forma interferem na sua qualidade de vida.

Somente depois dessa avaliação é possível definir se existe necessidade de exames adicionais, como o ultrassom Doppler.

O diagnóstico das varizes não consiste apenas em confirmar que existem veias dilatadas.

O verdadeiro objetivo é compreender por que elas apareceram, quais veias estão comprometidas e qual é a melhor estratégia para conduzir aquele caso.

Resposta rápida

O diagnóstico das varizes é feito através da combinação entre:

  • história clínica;
  • exame físico;
  • avaliação da circulação;
  • ultrassom Doppler, quando indicado.

Nem todo paciente precisa realizar exames complexos.

Na maioria das situações, uma consulta detalhada já fornece grande parte das informações necessárias para compreender a doença.

Tudo começa pela conversa

Muitas pessoas acreditam que a consulta servirá apenas para o médico observar as pernas.

Na prática, essa é apenas uma parte da avaliação.

Antes do exame físico, procuro conhecer a história do paciente.

Algumas perguntas costumam fazer parte dessa conversa:

  • Quando as varizes apareceram?
  • Existe histórico familiar?
  • Há dor, peso ou inchaço?
  • Os sintomas pioram ao longo do dia?
  • Houve gravidez?
  • Já realizou algum tratamento anteriormente?
  • Existe sangramento ou episódios de inflamação das veias?

Essas informações ajudam a entender não apenas a doença, mas também como ela interfere na rotina de cada pessoa.

O exame físico

Após a conversa, realizo o exame físico.

Essa avaliação permite observar:

  • localização das varizes;
  • calibre das veias;
  • presença de microvasos;
  • alterações na pele;
  • inchaço;
  • sinais de insuficiência venosa mais avançada.

Também procuro identificar quais veias podem estar relacionadas ao surgimento daquele quadro.

Esse exame orienta toda a investigação seguinte.

Quando o ultrassom Doppler é necessário?

O ultrassom Doppler é um dos exames mais importantes da cirurgia vascular.

Ele permite visualizar a circulação em tempo real.

Com esse exame conseguimos avaliar:

  • funcionamento das válvulas das veias;
  • presença de refluxo venoso;
  • comprometimento da veia safena;
  • funcionamento das veias profundas;
  • direção do fluxo sanguíneo.

Essas informações são fundamentais quando existe indicação de tratamento.

Entretanto, o Doppler não deve ser solicitado apenas porque o paciente apresenta algumas veias aparentes.

Ele faz parte de uma avaliação clínica mais ampla.

O ultrassom substitui a consulta?

Não.

Essa é uma confusão bastante comum.

O ultrassom mostra imagens e informações sobre a circulação.

Mas ele não substitui a interpretação clínica.

É a combinação entre sintomas, exame físico, história do paciente e ultrassom que permite construir um diagnóstico realmente completo.

Por isso, tratar apenas o resultado de um exame pode levar a decisões inadequadas.

O exame dói?

Não.

O ultrassom Doppler é um exame não invasivo.

Ele é realizado com um transdutor apoiado sobre a pele, utilizando gel para facilitar a formação das imagens.

Não utiliza radiação, não exige contraste e normalmente é muito bem tolerado pelos pacientes.

Durante o exame, o médico consegue observar o funcionamento das veias enquanto você muda de posição ou realiza pequenos movimentos solicitados durante a avaliação.

Por que o diagnóstico correto é tão importante?

As varizes que aparecem na pele nem sempre representam a origem do problema.

Em muitos pacientes, existe comprometimento de veias mais importantes, como a safena, ou alterações em outras partes da circulação.

Se tratarmos apenas aquilo que está visível, sem compreender a causa da doença, aumentamos a chance de resultados incompletos e do aparecimento de novas varizes ao longo do tempo.

Por isso, o diagnóstico é uma das etapas mais importantes de todo o tratamento.

Como explico isso aos meus pacientes

Costumo fazer uma comparação com uma árvore.

Imagine que algumas folhas começaram a secar.

Seria correto simplesmente retirar essas folhas?

Provavelmente não.

Antes, precisamos entender o que está acontecendo com as raízes.

Nas varizes acontece exatamente a mesma coisa.

As veias aparentes podem ser apenas a manifestação visível de uma alteração que começa em outra parte da circulação.

É por isso que dedicamos tanto tempo ao diagnóstico antes de pensar em qualquer tratamento.

Como penso esse caso

Na minha prática, costumo dizer que um bom tratamento começa muito antes da primeira aplicação, do laser ou de qualquer procedimento.

Ele começa quando conseguimos compreender como aquela circulação funciona.

Durante a consulta, meu objetivo não é apenas identificar quais veias estão doentes.

Quero entender por que elas adoeceram, quais sintomas realmente estão relacionados à insuficiência venosa e qual estratégia faz mais sentido para aquele paciente.

É essa etapa que permite construir um plano de tratamento individualizado.

Na minha experiência, quanto melhor o diagnóstico, mais previsível tende a ser o resultado.

O erro mais comum

Um erro bastante frequente é procurar tratamento apenas baseado em fotografias das pernas ou em um exame realizado há muitos anos.

As varizes podem evoluir ao longo do tempo.

Além disso, pacientes com aparência semelhante podem apresentar alterações completamente diferentes na circulação.

Por isso, cada decisão deve ser baseada na avaliação atual e não apenas na aparência das veias.

O que a ciência mostra

As principais diretrizes internacionais recomendam que o diagnóstico da doença venosa seja baseado na combinação entre avaliação clínica e ultrassom Doppler sempre que houver necessidade de compreender melhor o funcionamento da circulação ou planejar um tratamento.

Essa abordagem permite identificar o padrão da insuficiência venosa e escolher a estratégia mais adequada para cada paciente.

O que você pode fazer agora?

Se você percebe varizes, sente sintomas relacionados à circulação ou já recebeu indicação de tratamento, procure realizar uma avaliação com um cirurgião vascular.

Mais importante do que confirmar que existem varizes é compreender como está funcionando sua circulação.

É essa informação que permitirá definir se existe necessidade de tratamento, qual técnica faz mais sentido e qual é o melhor momento para iniciar esse processo.

Resumo

O diagnóstico das varizes vai muito além de observar as veias aparentes.

Ele envolve uma conversa detalhada, exame físico cuidadoso e, quando indicado, ultrassom Doppler para compreender o funcionamento da circulação.

Essa avaliação permite identificar a causa da doença e construir um plano de tratamento realmente personalizado.

Continue aprendendo

Leia também:

  • O que são varizes?
  • Por que as varizes aparecem?
  • Quais são os primeiros sintomas das varizes?
  • Toda variz precisa de tratamento?
  • As varizes podem piorar com o tempo?
  • Quando procurar um cirurgião vascular?

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Sobre a autora

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).

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