Entendendo as Varizes
Fatores de risco para varizes: quem tem mais chance de desenvolver a doença?
Descubra quais fatores aumentam o risco de desenvolver varizes e entenda por que algumas pessoas têm maior predisposição à doença venosa.
Dra. Lívia Lyra
Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951
5 min de leitura
Atualizado em 23 de junho de 2026

Quais são os fatores de risco para desenvolver varizes?
Você provavelmente conhece alguém que passou a vida inteira trabalhando em pé e nunca desenvolveu varizes.
Da mesma forma, talvez conheça pessoas jovens que já apresentam veias dilatadas e sintomas importantes.
Isso acontece porque o surgimento das varizes não depende de um único fator.
A doença venosa é considerada multifatorial, ou seja, resulta da combinação entre predisposição genética e fatores que atuam ao longo da vida.
Conhecer esses fatores não significa que seja possível prever exatamente quem desenvolverá varizes. Mas ajuda a entender por que algumas pessoas apresentam maior risco e por que a doença evolui de maneiras tão diferentes.
Resposta rápida
Os principais fatores de risco para desenvolver varizes são:
- histórico familiar;
- sexo feminino;
- idade;
- gravidez;
- obesidade;
- permanecer muito tempo em pé ou sentado;
- sedentarismo;
- alterações hormonais.
Ter um ou mais desses fatores não significa que a pessoa necessariamente terá varizes. Da mesma forma, pessoas sem fatores evidentes também podem desenvolver a doença.
O importante é compreender que eles aumentam a probabilidade, mas não determinam o futuro.
A hereditariedade é o principal fator
Entre todos os fatores de risco conhecidos, a predisposição genética é provavelmente o mais importante.
Se seus pais, avós ou irmãos apresentam varizes, a chance de você também desenvolver a doença é maior.
Isso acontece porque algumas pessoas nascem com características das paredes das veias e das válvulas que favorecem o aparecimento da insuficiência venosa ao longo da vida.
É por isso que frequentemente ouvimos frases como:
"Na minha família todo mundo tem varizes."
Essa percepção costuma refletir uma predisposição real.
As mulheres têm mais varizes?
Sim.
As mulheres apresentam maior frequência de doença venosa quando comparadas aos homens.
Isso está relacionado principalmente às alterações hormonais que ocorrem durante a vida, especialmente na gravidez, no uso de anticoncepcionais hormonais em algumas situações e na menopausa.
Além disso, as mulheres costumam procurar atendimento mais precocemente por questões estéticas, o que também aumenta o número de diagnósticos.
É importante destacar que homens também desenvolvem varizes e, muitas vezes, chegam à consulta com quadros mais avançados justamente porque demoraram a procurar avaliação.
Gravidez e varizes
Durante a gestação acontecem diversas mudanças que favorecem o aparecimento ou a piora das varizes.
Entre elas estão:
- aumento do volume de sangue circulante;
- ação dos hormônios sobre as paredes das veias;
- crescimento do útero, dificultando parcialmente o retorno do sangue das pernas;
- aumento da pressão sobre a circulação venosa.
Em muitas mulheres, as varizes surgem durante a primeira gravidez.
Em outras, tornam-se mais evidentes após gestações sucessivas.
A idade influencia?
Sim.
Com o passar dos anos, ocorre um desgaste natural das estruturas do organismo, incluindo as paredes das veias e suas válvulas.
Por isso, a frequência da doença venosa aumenta com a idade.
Entretanto, isso não significa que as varizes sejam uma consequência inevitável do envelhecimento.
É perfeitamente possível encontrar pacientes jovens com doença importante e idosos com circulação preservada.
Ficar muito tempo em pé causa varizes?
Essa é uma das maiores dúvidas dos pacientes.
Permanecer muitas horas em pé ou sentado não costuma ser a causa principal das varizes.
Entretanto, essa situação aumenta a pressão nas veias das pernas e pode favorecer o aparecimento de sintomas em pessoas que já possuem predisposição genética.
Profissões como professores, cabeleireiros, cirurgiões, dentistas, balconistas e vendedores frequentemente exigem longos períodos na mesma posição.
Nesses casos, pequenas pausas para caminhar e movimentar as pernas podem ajudar a reduzir o desconforto.
Sobrepeso e obesidade
O excesso de peso aumenta a pressão exercida sobre a circulação das pernas.
Além disso, pode dificultar o retorno venoso e favorecer a progressão da doença.
Manter um peso saudável não elimina o risco de desenvolver varizes, mas contribui para uma melhor circulação e para a redução dos sintomas.
Sedentarismo
Os músculos da panturrilha desempenham um papel fundamental na circulação das pernas.
A cada passo que damos, eles comprimem as veias profundas e ajudam o sangue a retornar ao coração.
Por esse motivo, a atividade física regular contribui para o bom funcionamento da circulação venosa.
Não significa que exercícios previnam completamente as varizes, mas ajudam a reduzir sintomas e favorecem o funcionamento da bomba muscular da panturrilha.
Como explico isso aos meus pacientes
Costumo dizer que desenvolver varizes é como montar um quebra-cabeça.
A genética representa a peça principal.
Mas outras peças também influenciam o resultado final: gravidez, idade, peso, rotina de trabalho, hormônios e estilo de vida.
Quando olhamos apenas para uma dessas peças, dificilmente conseguimos entender toda a história.
Por isso, durante a consulta, procuro conhecer não apenas as pernas do paciente, mas também sua rotina e sua história familiar.
Como penso esse caso
Sempre que um paciente pergunta qual foi a causa das suas varizes, evito procurar um único culpado.
Na maioria das vezes, a resposta está na combinação de vários fatores.
Essa visão é importante porque evita simplificações.
Meu objetivo é identificar quais fatores estão presentes naquele paciente e entender como eles influenciam sua circulação.
Essa abordagem permite oferecer orientações mais individualizadas e definir o momento mais adequado para tratar, quando houver indicação.
O erro mais comum
Um dos erros mais frequentes é acreditar que apenas quem trabalha em pé desenvolve varizes.
Outro equívoco é pensar que cruzar as pernas causa a doença.
Até o momento, não existem evidências de que cruzar as pernas seja responsável pelo surgimento das varizes.
O principal fator continua sendo a predisposição individual.
O que a ciência mostra
As pesquisas mostram que a doença venosa possui origem multifatorial.
Isso significa que fatores genéticos, hormonais, mecânicos e ambientais interagem ao longo da vida.
Essa combinação explica por que pacientes com hábitos semelhantes podem apresentar evoluções completamente diferentes.
Por isso, o risco deve ser analisado sempre de forma individual.
O que você pode fazer agora?
Se você possui histórico familiar de varizes ou apresenta vários fatores de risco, não significa que precisará de tratamento imediatamente.
Mas vale a pena conhecer sua circulação.
Uma avaliação com um cirurgião vascular pode identificar alterações precoces, orientar medidas para aliviar sintomas e acompanhar a evolução da doença ao longo dos anos.
Resumo
As varizes não surgem por um único motivo.
Elas resultam da combinação entre predisposição genética e fatores que aumentam a pressão sobre a circulação venosa.
Conhecer esses fatores ajuda a compreender a doença, mas não substitui uma avaliação individualizada.
Cada paciente apresenta uma história diferente e merece um planejamento específico.
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Leia também:
- O que são varizes?
- Por que as varizes aparecem?
- Quais são os primeiros sintomas das varizes?
- As varizes podem piorar com o tempo?
- Como é feito o diagnóstico das varizes?
- Quando procurar um cirurgião vascular?
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Sobre a autora
Dra. Lívia Lyra
Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).
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