Mitos e Verdades
Ficar muito tempo em pé causa varizes? Mito ou verdade?
Descubra se trabalhar muitas horas em pé realmente causa varizes e entenda quais fatores têm maior influência no desenvolvimento da doença venosa.
Dra. Lívia Lyra
Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951
3 min de leitura
Atualizado em 23 de junho de 2026

Mito ou Verdade: ficar muito tempo em pé causa varizes?
Professores.
Médicos.
Enfermeiros.
Cabeleireiros.
Vendedores.
Muitas profissões compartilham uma característica em comum:
passar várias horas por dia em pé.
Por isso, é muito comum ouvir a seguinte afirmação:
"Eu tenho varizes porque trabalho em pé."
Mas será que isso é verdade?
PARCIALMENTE VERDADE
Ficar muito tempo em pé não costuma ser a causa única das varizes.
Mas pode contribuir para o aparecimento dos sintomas e acelerar a evolução da doença em pessoas predispostas.
Então trabalhar em pé não causa varizes sozinho?
Na maioria dos casos, não.
As varizes são uma doença multifatorial.
Isso significa que normalmente existe uma combinação de fatores envolvidos.
Entre os principais estão:
- predisposição genética;
- alterações hormonais;
- gravidez;
- envelhecimento;
- características individuais da circulação.
O tempo em pé entra como um fator que pode aumentar a sobrecarga sobre o sistema venoso.
O que acontece com a circulação quando ficamos em pé?
Quando estamos de pé, o sangue precisa vencer a gravidade para retornar das pernas ao coração.
Esse trabalho depende principalmente de:
- válvulas venosas saudáveis;
- contração da musculatura da panturrilha;
- bom funcionamento da circulação.
Quando permanecemos parados durante muito tempo, essa tarefa se torna mais difícil.
É justamente nesse momento que algumas pessoas começam a sentir:
- peso nas pernas;
- cansaço;
- inchaço;
- desconforto ao final do dia.
O problema não é ficar em pé. É ficar parado.
Esse é um detalhe importante.
Muitas pessoas imaginam que caminhar e permanecer parado em pé produzem o mesmo efeito.
Mas não produzem.
Quando caminhamos, a musculatura da panturrilha se contrai repetidamente.
Essa contração ajuda a empurrar o sangue de volta para o coração.
Já quando permanecemos imóveis durante longos períodos, esse mecanismo funciona de forma menos eficiente.
Por isso, o problema costuma estar mais relacionado à imobilidade do que à posição em si.
Por que algumas pessoas têm sintomas e outras não?
Porque existe uma enorme diferença individual.
Duas pessoas podem trabalhar exatamente na mesma função.
Uma desenvolver sintomas importantes.
Outra não apresentar qualquer queixa.
Isso acontece porque fatores como genética e funcionamento das válvulas venosas influenciam muito essa resposta.
Quais profissões costumam apresentar mais sintomas?
Embora qualquer pessoa possa desenvolver insuficiência venosa, algumas profissões frequentemente relatam maior desconforto:
- profissionais da saúde;
- professores;
- cabeleireiros;
- vendedores;
- cozinheiros;
- profissionais da indústria;
- atendentes.
O ponto em comum costuma ser a permanência prolongada na mesma posição.
Se eu trabalho em pé, vou ter varizes?
Não necessariamente.
Existem pessoas que passam décadas trabalhando em pé e apresentam poucas alterações.
Da mesma forma, existem pessoas que trabalham sentadas e desenvolvem varizes importantes.
Isso mostra que o tempo em pé é apenas uma peça dentro de um quebra-cabeça muito maior.
O que ajuda a proteger a circulação?
Pequenas atitudes podem fazer diferença:
- caminhar alguns minutos ao longo do dia;
- movimentar os tornozelos;
- alternar períodos sentado e em pé;
- praticar atividade física regularmente;
- controlar fatores de risco;
- procurar avaliação quando surgirem sintomas.
Essas medidas ajudam a reduzir a sobrecarga sobre o sistema venoso.
E a meia elástica?
Em algumas pessoas, principalmente aquelas que apresentam sintomas frequentes, a meia compressiva pode ser uma ferramenta útil.
Mas a indicação deve ser individualizada.
Nem todo profissional que trabalha em pé precisa usar meia.
Como explico isso aos meus pacientes?
Costumo dizer que trabalhar em pé não cria varizes do nada.
Mas pode funcionar como um amplificador de uma predisposição que já existe.
Se a circulação já apresenta tendência à insuficiência venosa, a sobrecarga diária pode tornar os sintomas mais evidentes.
Como penso essa questão
Na minha prática, gosto de evitar explicações simplistas.
Raramente existe um único culpado pelas varizes.
O que normalmente observamos é a combinação entre predisposição genética, funcionamento da circulação e fatores do estilo de vida.
Entender essa combinação é muito mais útil do que procurar uma causa isolada.
O erro mais comum
O maior erro é acreditar que trabalhar em pé inevitavelmente levará ao aparecimento das varizes.
A realidade é muito mais complexa.
Existem pessoas altamente predispostas que desenvolvem a doença mesmo sem permanecer longos períodos em pé.
E existem pessoas que trabalham em pé durante décadas sem apresentar quadros importantes.
Resumo
Ficar muito tempo em pé não costuma ser a causa única das varizes, mas pode aumentar a sobrecarga sobre a circulação e favorecer sintomas em pessoas predispostas.
O risco depende da combinação entre genética, funcionamento das veias, alterações hormonais e hábitos de vida.
Por isso, a melhor estratégia é cuidar da circulação como um todo e procurar avaliação quando surgirem sintomas ou dúvidas.
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Sobre a autora
Dra. Lívia Lyra
Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).
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