Recuperação

Como é a recuperação após o tratamento da veia safena e varizes grossas?

Entenda como funciona o tratamento da veia safena com endolaser, quais são suas vantagens, como é a recuperação e quando essa técnica pode ser indicada.

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951

4 min de leitura

Atualizado em 23 de junho de 2026

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Como é a recuperação após o tratamento da veia safena e varizes grossas?

Como funciona o tratamento da veia safena com endolaser?

Durante muitos anos, tratar a veia safena significava realizar uma cirurgia para retirar essa veia.

Hoje, felizmente, a cirurgia vascular evoluiu.

Em muitos pacientes, é possível tratar a insuficiência da veia safena utilizando uma técnica minimamente invasiva chamada endolaser.

Ao contrário da cirurgia convencional, o objetivo do endolaser não é remover a veia.

O tratamento acontece por dentro da própria safena, utilizando energia térmica para interromper o refluxo e permitir que a circulação seja reorganizada naturalmente.

Essa evolução mudou completamente a experiência do paciente e representa um dos maiores avanços da cirurgia vascular nas últimas décadas.

Resposta rápida

O endolaser é uma técnica minimamente invasiva utilizada para tratar a insuficiência da veia safena.

Uma fibra extremamente fina é introduzida no interior da veia, guiada por ultrassom.

A energia do laser promove o fechamento controlado da safena doente.

Depois disso, o organismo redireciona naturalmente o sangue para as demais veias saudáveis da perna.

O objetivo não é retirar a veia, mas eliminar o refluxo que está causando a doença.

Como o procedimento é realizado?

O procedimento começa com um novo mapeamento ultrassonográfico da circulação.

Mesmo tendo realizado exames antes da cirurgia, gosto de confirmar toda a anatomia imediatamente antes do procedimento.

Em seguida, realizamos uma pequena punção na pele para acessar a veia safena.

A fibra óptica é posicionada cuidadosamente no interior da veia, sempre com acompanhamento por ultrassom em tempo real.

Depois é realizada a anestesia tumescente.

Essa etapa tem duas funções muito importantes.

A primeira é proporcionar conforto ao paciente.

A segunda é proteger os tecidos ao redor da veia durante a aplicação da energia do laser.

Somente após essas etapas iniciamos a aplicação do laser.

A energia é liberada de maneira controlada enquanto a fibra é retirada lentamente.

Todo o procedimento é acompanhado pelo ultrassom.

O que acontece com a veia depois?

Essa é uma dúvida muito comum.

Muitas pessoas imaginam que a veia desaparece imediatamente.

Na realidade, o organismo inicia um processo natural de cicatrização.

A safena tratada deixa de participar da circulação.

Com o passar dos meses, ela é gradualmente reabsorvida pelo próprio organismo.

Enquanto isso, o sangue passa a utilizar outras veias saudáveis, principalmente o sistema venoso profundo, responsável pela maior parte da circulação das pernas.

O endolaser substitui todos os outros tratamentos?

Não.

Embora seja uma excelente opção para muitos pacientes com insuficiência da veia safena, a escolha da técnica sempre deve ser individualizada.

Existem situações em que outras abordagens podem ser mais adequadas.

É por isso que o planejamento começa pelo diagnóstico e não pela tecnologia.

Na minha prática, nunca escolho o endolaser simplesmente porque ele existe.

Escolho quando ele representa a melhor solução para aquela circulação.

Quais são as vantagens do endolaser?

Quando corretamente indicado, o endolaser oferece diversos benefícios.

Entre eles:

  • procedimento minimamente invasivo;
  • pequenas punções, sem necessidade de grandes incisões;
  • tratamento guiado por ultrassom durante toda a cirurgia;
  • menor agressão aos tecidos em comparação com a cirurgia convencional;
  • recuperação mais rápida para muitos pacientes;
  • retorno precoce às atividades habituais em diversos casos.

É importante destacar que cada paciente apresenta uma recuperação diferente.

Por isso, todas essas vantagens devem ser analisadas dentro do contexto individual.

O tratamento dói?

Essa é uma das maiores preocupações dos pacientes.

Na maioria dos casos, o procedimento é realizado com anestesia local tumescente.

Isso proporciona conforto durante a cirurgia.

Após o procedimento, é esperado algum desconforto leve ou sensação de endurecimento ao longo do trajeto tratado.

Essas manifestações costumam fazer parte do processo normal de cicatrização.

Durante a consulta, explico detalhadamente o que cada paciente pode esperar no pós-operatório.

Como é a recuperação?

Uma das grandes vantagens das técnicas minimamente invasivas é permitir que o paciente caminhe logo após o procedimento.

Na maioria dos casos, a alta ocorre no mesmo dia.

As orientações variam conforme cada tratamento, mas normalmente incluem:

  • caminhar diariamente;
  • utilizar meia de compressão quando indicada;
  • evitar atividades físicas intensas nos primeiros dias;
  • comparecer às consultas de acompanhamento.

O retorno ao trabalho depende da atividade exercida e das características individuais de cada paciente.

O que dizem as evidências científicas?

O endolaser é atualmente uma das principais técnicas recomendadas pelas sociedades internacionais para o tratamento da insuficiência da veia safena.

As diretrizes da Society for Vascular Surgery (SVS), da American Venous Forum (AVF) e da American Vein and Lymphatic Society (AVLS) recomendam que pacientes com refluxo da veia safena e indicação de tratamento sejam tratados preferencialmente por técnicas endovenosas, como o endolaser ou a radiofrequência, quando essas tecnologias estão disponíveis e são realizadas por equipes experientes.

Essa recomendação é baseada em estudos que demonstram excelentes resultados clínicos, melhora dos sintomas, recuperação mais rápida em muitos pacientes e elevada satisfação após o tratamento.

Como penso esse tratamento

O endolaser é uma tecnologia.

E toda tecnologia é apenas uma ferramenta.

O que realmente determina um bom resultado é saber quando utilizá-la.

Na minha prática, o procedimento começa muito antes da entrada no centro cirúrgico.

Ele começa na consulta, quando procuro entender a circulação daquele paciente, seus sintomas, seus objetivos e suas expectativas.

A partir daí, construímos um plano de tratamento individualizado.

Quando o endolaser faz parte desse plano, ele deixa de ser apenas uma técnica e passa a ser uma solução cuidadosamente indicada para aquele caso.

É exatamente essa forma de pensar que norteia meu trabalho.

Resumo

O endolaser representa um dos maiores avanços no tratamento da insuficiência da veia safena.

Trata-se de uma técnica minimamente invasiva, realizada por dentro da própria veia, guiada por ultrassom e baseada em evidências científicas sólidas.

Mais importante do que a tecnologia utilizada é garantir que ela seja indicada para o paciente certo, no momento certo e dentro de um planejamento individualizado.

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Sobre a autora

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).

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