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Varizes podem virar trombose? Entenda os riscos e sinais de alerta

Descubra qual é a relação entre varizes e trombose, quando existe risco aumentado e quais sintomas merecem avaliação médica.

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951

4 min de leitura

Atualizado em 23 de junho de 2026

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Varizes podem virar trombose? Entenda os riscos e sinais de alerta

Varizes podem virar trombose?

Essa é uma das perguntas que mais escuto durante as consultas.

Muitas pessoas convivem com varizes há anos e, em algum momento, começam a se preocupar:

“Será que minhas varizes podem virar uma trombose?”

Essa preocupação é compreensível.

A trombose é uma condição que pode trazer consequências importantes para a saúde e costuma gerar bastante ansiedade quando é mencionada.

Mas a resposta não é tão simples quanto um “sim” ou “não”.

Embora varizes e trombose sejam doenças diferentes, existe uma relação entre elas que merece ser compreendida.

Entender essa diferença é fundamental para saber quando existe motivo para preocupação e quando é possível ficar tranquilo.

Resposta rápida

As varizes não se transformam diretamente em trombose.

Porém, algumas pessoas com doença venosa podem apresentar um risco maior de desenvolver determinados tipos de trombose ao longo da vida.

Além disso, existe uma condição chamada tromboflebite superficial, que pode ocorrer em veias varicosas e frequentemente é confundida com trombose venosa profunda.

Por isso, sintomas novos ou alterações repentinas merecem avaliação médica.

Qual é a diferença entre varizes e trombose?

As varizes são veias dilatadas e tortuosas que perderam parte da sua capacidade de transportar o sangue adequadamente.

Já a trombose acontece quando um coágulo se forma dentro de uma veia, dificultando ou bloqueando a passagem do sangue.

Embora ambas envolvam o sistema venoso, estamos falando de problemas diferentes.

É possível ter varizes sem nunca desenvolver trombose.

Também é possível ter trombose sem apresentar varizes.

Então por que existe essa associação?

Porque algumas alterações da circulação podem favorecer tanto o surgimento de varizes quanto aumentar a tendência à formação de coágulos em determinadas situações.

Além disso, pacientes com varizes mais avançadas podem desenvolver episódios de tromboflebite superficial, uma inflamação acompanhada de coagulação dentro de uma veia superficial.

É justamente essa situação que costuma gerar dúvidas e preocupação.

O que é tromboflebite superficial?

A tromboflebite superficial acontece quando uma veia próxima à pele sofre um processo inflamatório associado à formação de um pequeno trombo.

Ela costuma ocorrer com mais frequência em pessoas que possuem varizes.

Os sintomas geralmente incluem:

  • dor localizada;
  • vermelhidão;
  • endurecimento da veia;
  • sensação de cordão endurecido sob a pele;
  • aumento da sensibilidade na região.

Apesar de muitas vezes ter uma evolução mais tranquila do que uma trombose venosa profunda, a tromboflebite sempre merece avaliação médica.

Como saber se pode ser algo mais sério?

Existem alguns sinais que merecem atenção especial.

Principalmente quando surgem de forma repentina.

Entre eles:

  • inchaço importante em apenas uma perna;
  • dor intensa na panturrilha;
  • aumento rápido do volume da perna;
  • sensação de tensão importante;
  • vermelhidão extensa;
  • falta de ar associada aos sintomas.

Essas situações exigem avaliação médica para afastar condições mais importantes, incluindo a trombose venosa profunda.

Uma perna inchada é sempre trombose?

Não.

Existem muitas causas para o inchaço nas pernas.

Insuficiência venosa, alterações linfáticas, problemas ortopédicos, retenção de líquidos e diversas outras condições podem provocar sintomas semelhantes.

No entanto, quando o inchaço surge de forma súbita, principalmente em apenas uma perna, a possibilidade de trombose precisa ser considerada.

É exatamente por isso que a avaliação médica é tão importante.

Quem tem varizes precisa viver preocupado?

Não.

A maioria das pessoas com varizes jamais desenvolverá uma trombose.

O objetivo deste artigo não é gerar medo.

É gerar informação.

Conhecer os sinais de alerta permite procurar ajuda quando necessário e evitar preocupações desnecessárias quando não existem motivos para alarme.

Na prática, o mais importante é acompanhar a saúde vascular e investigar sintomas novos ou diferentes do padrão habitual.

Como identificamos se existe risco?

Durante a consulta avaliamos:

  • histórico pessoal e familiar;
  • presença de varizes;
  • episódios prévios de trombose;
  • uso de medicamentos;
  • fatores de risco;
  • sintomas atuais.

Quando necessário, utilizamos o ultrassom Doppler para analisar o funcionamento das veias e investigar a presença de trombos.

Esse exame é uma das principais ferramentas para esclarecer dúvidas quando existe suspeita de trombose.

Como explico isso aos meus pacientes

Costumo dizer que ter varizes não significa viver esperando uma trombose acontecer.

Mas também não significa ignorar completamente os sinais do corpo.

O equilíbrio está em conhecer os sintomas que merecem atenção e procurar avaliação quando algo foge do padrão habitual.

Informação gera tranquilidade.

Desinformação gera medo.

Como penso essa questão

Ao longo da minha prática, percebi que muitas pessoas convivem com dois extremos.

Algumas minimizam sintomas importantes.

Outras vivem com medo constante de uma trombose.

Nenhum dos dois caminhos é ideal.

Meu objetivo é ajudar o paciente a entender sua circulação, reconhecer sinais de alerta e tomar decisões baseadas em informação, não em ansiedade.

Quando procurar ajuda imediatamente?

Procure avaliação médica rapidamente se surgir:

  • inchaço súbito em apenas uma perna;
  • dor intensa e diferente do habitual;
  • vermelhidão importante associada ao inchaço;
  • endurecimento doloroso de uma veia;
  • falta de ar;
  • dor no peito associada aos sintomas das pernas.

Esses sinais não significam necessariamente trombose, mas justificam investigação.

Resumo

As varizes não se transformam diretamente em trombose.

Entretanto, algumas pessoas com doença venosa podem apresentar situações que merecem atenção, como a tromboflebite superficial ou sintomas sugestivos de trombose venosa profunda.

A melhor forma de lidar com esse tema não é viver com medo, mas conhecer os sinais de alerta e realizar acompanhamento adequado da saúde vascular.

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Sobre a autora

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).

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