Tratamento de Safenas e Varizes Grossas
O que significa ter insuficiência da veia safena? Entenda o diagnóstico
Descubra o que é a insuficiência da veia safena, por que ela acontece, quais sintomas pode causar e quando o tratamento pode ser indicado.
Dra. Lívia Lyra
Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951
5 min de leitura
Atualizado em 23 de junho de 2026

O que significa ter insuficiência da veia safena?
Receber um resultado de ultrassom informando "insuficiência da veia safena" costuma assustar muitos pacientes.
É comum surgirem perguntas como:
- "Minha circulação está comprometida?"
- "Minha safena estragou?"
- "Vou precisar operar?"
Na maioria das vezes, o próprio termo técnico gera mais preocupação do que deveria.
A insuficiência da veia safena significa que essa veia deixou de desempenhar sua função de forma eficiente. Isso acontece porque suas válvulas não conseguem mais impedir que o sangue retorne na direção errada.
Embora essa alteração possa estar relacionada ao aparecimento das varizes, ela não significa automaticamente que existe indicação de tratamento.
Neste artigo, vou explicar exatamente o que esse diagnóstico representa e como ele é interpretado durante a consulta.
Resposta rápida
A insuficiência da veia safena acontece quando as válvulas existentes dentro da veia deixam de funcionar adequadamente.
Em vez de conduzir o sangue apenas em direção ao coração, a veia passa a permitir que parte desse sangue retorne para a perna.
Esse fenômeno é chamado de refluxo venoso.
O refluxo aumenta a pressão dentro da circulação superficial e pode favorecer o surgimento de varizes, sintomas e a progressão da doença venosa.
Entretanto, a presença de refluxo não significa, por si só, que o tratamento seja obrigatório.
Como a safena funciona normalmente?
Em condições normais, a veia safena trabalha como uma via de retorno do sangue.
No seu interior existem pequenas válvulas que funcionam como portas de sentido único.
Quando caminhamos, a musculatura da panturrilha impulsiona o sangue para cima.
As válvulas impedem que esse sangue volte para baixo.
É esse mecanismo que mantém a circulação funcionando contra a gravidade.
O que muda quando existe insuficiência?
Quando essas válvulas deixam de fechar corretamente, parte do sangue começa a retornar.
Em vez de seguir apenas para o coração, ele permanece circulando em sentido contrário dentro da safena.
Esse refluxo aumenta progressivamente a pressão sobre as paredes da veia.
Com o tempo, ela pode dilatar, favorecer o aparecimento de varizes e gerar sintomas relacionados à hipertensão venosa.
Quanto maior o refluxo, maior tende a ser o impacto sobre a circulação.
Quais sintomas a insuficiência da safena pode causar?
Nem todos os pacientes apresentam sintomas.
Algumas pessoas descobrem essa alteração durante uma avaliação de rotina.
Quando existem manifestações clínicas, as mais comuns são:
- sensação de peso nas pernas;
- dor ao final do dia;
- cansaço;
- inchaço;
- aparecimento progressivo de varizes;
- coceira;
- sensação de calor ou queimação.
Nos casos mais avançados, podem surgir alterações na pele, endurecimento dos tecidos e úlceras venosas.
É importante lembrar que a intensidade dos sintomas varia muito entre os pacientes.
Toda insuficiência da safena causa varizes?
Nem sempre.
Existem pessoas que apresentam refluxo na safena e poucas alterações visíveis.
Outras desenvolvem varizes importantes.
Essa diferença depende de diversos fatores, como predisposição genética, tempo de evolução da doença e características individuais da circulação.
Da mesma forma, nem toda pessoa com varizes apresenta insuficiência da safena.
Por isso, o diagnóstico sempre deve ser interpretado de forma individual.
Como esse diagnóstico é feito?
Na maioria das vezes, a insuficiência da safena é identificada através da combinação entre consulta médica e ultrassom Doppler.
Durante o exame, conseguimos observar:
- se existe refluxo;
- onde ele começa;
- qual é sua extensão;
- quais veias estão sendo influenciadas por ele;
- como está funcionando o restante da circulação.
Essas informações são fundamentais para definir a melhor estratégia de acompanhamento ou tratamento.
Ter insuficiência significa que preciso tratar?
Não.
Esse é um dos pontos mais importantes deste artigo.
O exame não trata pacientes.
Quem tratamos são pessoas.
Ao decidir se existe indicação de tratamento, avaliamos diversos fatores:
- sintomas;
- intensidade do refluxo;
- impacto na qualidade de vida;
- evolução das varizes;
- alterações na pele;
- idade;
- objetivos do paciente.
Existem pacientes com refluxo importante que precisam de tratamento.
Outros podem ser apenas acompanhados durante anos.
A decisão nunca depende exclusivamente do exame.
Como explico isso aos meus pacientes
Costumo dizer que a safena funciona como uma escada rolante.
Enquanto ela está funcionando normalmente, as pessoas conseguem subir sem dificuldade.
Agora imagine que essa escada passa a descer ao mesmo tempo em que você tenta subir.
Você continua fazendo esforço, mas o caminho fica muito mais difícil.
É exatamente isso que acontece quando existe refluxo.
O sangue tenta subir em direção ao coração, mas parte dele retorna continuamente.
O problema não é apenas a veia.
O problema é a direção do fluxo.
Como penso esse caso
Sempre que recebo um ultrassom mostrando insuficiência da safena, minha primeira reação não é pensar em tratamento.
Minha primeira pergunta é:
"Esse refluxo está realmente causando problemas para esse paciente?"
Já acompanhei pessoas com refluxos importantes que permaneciam praticamente sem sintomas.
Da mesma forma, atendi pacientes com alterações menores, mas que apresentavam impacto significativo na qualidade de vida.
É por isso que nunca tomo decisões olhando apenas para o exame.
Meu compromisso é interpretar aquele resultado dentro da realidade de cada pessoa.
A medicina vascular exige esse olhar individualizado.
O erro mais comum
Um dos maiores erros é acreditar que o diagnóstico de insuficiência da safena representa uma urgência.
Na maioria das vezes, não representa.
Outro equívoco é pensar que todo refluxo precisa ser tratado imediatamente.
A decisão depende da combinação entre exame, sintomas, expectativa do paciente e evolução da doença.
É justamente essa avaliação global que permite indicar o tratamento no momento certo.
O que a ciência mostra
Hoje sabemos que a insuficiência da veia safena é uma das principais causas da doença venosa superficial.
As diretrizes internacionais recomendam que sua avaliação seja feita por meio do exame clínico e do ultrassom Doppler.
A indicação de tratamento deve considerar sintomas, qualidade de vida, anatomia da circulação e benefícios esperados para cada paciente.
Esse é um dos princípios fundamentais da medicina baseada em evidências.
O que você pode fazer agora?
Se o seu ultrassom mostrou insuficiência da veia safena, não interprete esse resultado isoladamente.
Procure um cirurgião vascular para compreender o significado desse exame no contexto da sua circulação.
Muitas vezes, a consulta traz mais respostas do que o próprio laudo.
Entender a doença é o primeiro passo para decidir se o melhor caminho é acompanhar ou tratar.
Resumo
A insuficiência da veia safena significa que essa veia passou a apresentar refluxo, dificultando o retorno adequado do sangue ao coração.
Essa alteração pode favorecer o aparecimento de varizes e sintomas relacionados à doença venosa.
Entretanto, nem todo paciente com insuficiência da safena precisa de tratamento.
A decisão deve ser baseada na avaliação clínica, no ultrassom e nas características individuais de cada pessoa.
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Sobre a autora
Dra. Lívia Lyra
Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).
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