Tratamento de Safenas e Varizes Grossas

Por que faço o tratamento de safenas com endolaser

Descubra por que as técnicas minimamente invasivas, como o endolaser, passaram a ser preferidas pelas principais diretrizes internacionais para o tratamento da insuficiência da veia safena.

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã Vascular — CRM-MG 48951

5 min de leitura

Atualizado em 23 de junho de 2026

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Por que faço o tratamento de safenas com endolaser

Por que não realizo a cirurgia convencional para tratar a veia safena?

Uma das perguntas que mais escuto no consultório é:

"Doutora, por que a senhora não faz a cirurgia tradicional da safena?"

Essa é uma excelente pergunta.

E a resposta não está baseada em preferência pessoal, em marketing ou em modismos.

Ela está baseada na evolução da medicina.

Durante muitos anos, a cirurgia convencional foi considerada o melhor tratamento disponível para a insuficiência da veia safena. Ela transformou a vida de milhares de pacientes e representou um enorme avanço para a cirurgia vascular.

Mas a medicina evolui.

Novas tecnologias foram desenvolvidas, estudos científicos compararam diferentes técnicas e, com o passar dos anos, ficou evidente que muitos pacientes poderiam ser tratados por métodos menos invasivos, com resultados semelhantes ou superiores e uma recuperação mais confortável.

Foi essa evolução que mudou a forma como conduzo meus tratamentos.

A cirurgia convencional está errada?

Não.

Esse é um ponto muito importante.

A cirurgia convencional faz parte da história da cirurgia vascular e continua sendo uma excelente alternativa em situações específicas.

Ela salvou e continua beneficiando milhares de pacientes ao redor do mundo.

O que mudou não foi a qualidade da cirurgia.

O que mudou foi o surgimento de tecnologias capazes de tratar a mesma doença de maneira menos invasiva.

Quando uma tecnologia oferece resultados semelhantes, menor agressão ao organismo e recuperação mais rápida, é natural que ela passe a ocupar um espaço cada vez maior.

Foi exatamente isso que aconteceu com o tratamento da veia safena.

O que mudou nos últimos anos?

Durante décadas, o tratamento da insuficiência da safena consistia em remover essa veia por meio de incisões cirúrgicas.

Com o desenvolvimento das técnicas endovenosas, passou a ser possível tratar a safena por dentro da própria veia, utilizando energia térmica, como o endolaser ou a radiofrequência.

Essas técnicas eliminam o refluxo sem a necessidade de retirar toda a veia por meio de uma cirurgia convencional.

Na prática, isso representa um procedimento menos invasivo, com menor trauma cirúrgico e recuperação mais rápida para muitos pacientes.

Mas o mais importante é que essa mudança não aconteceu apenas porque surgiu uma nova tecnologia.

Ela aconteceu porque essa tecnologia foi estudada e comparada cientificamente.

O que dizem as principais diretrizes internacionais?

Essa é a parte mais importante deste artigo.

As recomendações mais recentes da Society for Vascular Surgery (SVS), da American Venous Forum (AVF) e da American Vein and Lymphatic Society (AVLS) orientam que pacientes com varizes sintomáticas e insuficiência da veia safena que tenham indicação de tratamento sejam tratados preferencialmente por técnicas endovenosas, como o endolaser ou a radiofrequência, em vez da cirurgia convencional de retirada da safena.

A recomendação é considerada forte, baseada em evidências científicas de qualidade moderada, utilizando a metodologia internacional GRADE para avaliação das evidências.

As próprias diretrizes também deixam claro quando a cirurgia convencional continua sendo indicada.

Ela permanece uma excelente opção quando:

  • não existe disponibilidade da tecnologia endovenosa;
  • o profissional não possui experiência com essas técnicas;
  • ou a anatomia da veia não permite um tratamento endovenoso.

Perceba que a discussão atual deixou de ser "laser versus cirurgia".

A pergunta correta passou a ser:

Qual é o melhor tratamento para este paciente, considerando a melhor evidência científica disponível?

Então o endolaser é melhor?

A medicina raramente trabalha com respostas absolutas.

O que podemos afirmar é que, para pacientes adequadamente selecionados, as principais diretrizes internacionais recomendam que a ablação endovenosa seja preferida em relação à cirurgia convencional.

Essa recomendação leva em consideração diversos fatores, incluindo:

  • excelentes resultados clínicos;
  • melhora dos sintomas;
  • recuperação mais rápida em muitos pacientes;
  • menor agressão aos tecidos;
  • alta satisfação dos pacientes.

Isso não significa que o endolaser seja indicado para absolutamente todos os casos.

Significa que ele passou a ocupar um papel central no tratamento moderno da insuficiência da veia safena.

Por que escolhi trabalhar exclusivamente com técnicas minimamente invasivas?

Ao longo da minha formação acompanhei toda essa evolução da cirurgia vascular.

À medida que as evidências científicas foram se consolidando, tomei uma decisão importante para minha prática.

Estruturei toda a clínica para oferecer tratamentos modernos, minimamente invasivos e guiados por ultrassom.

Essa escolha exigiu investimento em tecnologia, treinamento contínuo e atualização constante.

Mas acredito que oferecer aos pacientes aquilo que a ciência recomenda hoje faz parte do compromisso que assumi como médica.

Minha decisão nunca começa perguntando:

"Qual tecnologia vou utilizar?"

Ela começa perguntando:

"Qual tratamento oferecerá o melhor equilíbrio entre segurança, eficácia, recuperação e qualidade de vida para este paciente?"

Na grande maioria dos casos de insuficiência da veia safena, essa resposta aponta para as técnicas endovenosas.

Isso significa que nunca existe indicação para cirurgia convencional?

Não.

Existem situações em que a cirurgia convencional continua sendo uma excelente alternativa.

Cada paciente possui uma anatomia diferente.

Algumas veias apresentam características que dificultam ou impedem determinados tratamentos endovenosos.

Além disso, nem todos os serviços dispõem da tecnologia necessária ou de equipes treinadas para realizá-los.

Por isso, a escolha da técnica deve ser sempre individualizada.

O mais importante não é defender uma tecnologia.

É oferecer ao paciente o tratamento mais adequado para o seu caso.

Como penso esse caso

Na minha prática, procuro não criar uma disputa entre técnicas.

Não acredito em "laser contra cirurgia".

Acredito em medicina baseada em evidências.

Quando a literatura científica evolui, considero que minha obrigação é evoluir junto.

Foi exatamente isso que aconteceu com o tratamento da insuficiência da veia safena.

Hoje, as técnicas minimamente invasivas ocupam um espaço de destaque nas principais diretrizes internacionais.

E é por isso que elas fazem parte da rotina da minha clínica.

Resumo

A cirurgia convencional da veia safena continua sendo um tratamento válido e importante em situações específicas.

Entretanto, a evolução das evidências científicas fez com que as principais diretrizes internacionais passassem a recomendar, para a maioria dos pacientes candidatos ao tratamento, técnicas endovenosas como o endolaser ou a radiofrequência, desde que exista disponibilidade tecnológica, experiência da equipe e indicação adequada.

Na minha prática, essa é a filosofia que orienta todas as decisões: utilizar a tecnologia como ferramenta, mas permitir que a ciência e a individualização do tratamento sejam sempre os principais guias.

Referências científicas

Gloviczki P, et al. The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society Clinical Practice Guidelines for the Management of Varicose Veins of the Lower Extremities – Part II. Journal of Vascular Surgery: Venous and Lymphatic Disorders. 2024.

American Venous Forum – Clinical Practice Guidelines. Repositório oficial das diretrizes internacionais sobre doença venosa.

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Sobre a autora

Dra. Lívia Lyra

Cirurgiã vascular (CRM-MG 48951 / RQE 29203), referência no Brasil em tratamento moderno de varizes. Atende em Nova Lima (BH).

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